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História do boxe brasileiro nas olimpíadas: De 1948 até hoje

historia do boxe brasileiro nas olimpíadas

Toda a trajetória do Boxe até os Jogos Olímpicos

O Boxe do Brasil tem muita tradição e já viu muitos nomes ficarem marcados com grandes conquistas neste esporte. Confira neste artigo os principais capítulos da história do boxe brasileiro nas olimpíadas.

A história do Boxe é bem antiga, com registros de pugilismo desde 3000 a.C no Egito. fazia parte das festividades do Rei. Só que foi em 688 a.C, que se tornou uma modalidade Olímpica, ainda na versão da Antiguidade, que ocorria em Olímpia, na Grécia.

Já a versão dos Jogos Olímpicos na Era Mordena introduziu o Boxe na disputa em 1904, com a edição de St-Louis, nos Estados Unidos. Nesta primeira aparição foram sete categorias de peso, todas com competidores masculinos. Um momento em que muitos outros esportes também passaram a fazer parte do calendário olímpico.

O boxe brasileiro nas olimpíadas

A grande estreia do boxe brasileiro nos Jogos Olímpicos aconteceu em 1948.  Foram quatro atletas representando o país na modalidade: Manoel do Nascimento (Galo), José do Nascimento Dias (Pena), Vicente dos Santos (Pesado) e Ralph Zumbano (Leve).

Destes, Ralph foi quem teve o maior destaque. ele ganhou muito bem nas duas primeiras lutas e só foi derrotado nas quartas de final para o estadunidense Wallace “Bud” Smith. Portanto, logo na edição de estreia, o Brasil chegou muito perto de conquistar a medalha. Ele se profissionalizou no ano seguinte e por conta disso não retornou mais para outra edição de Jogos Olímpicos, que no Boxe conta apenas com atletas amadores.

Por isso você nunca viu um Mike Tyson competir em uma Olimpíada, por exemplo, nem um Popó representando o brasil.

Evolução e outras batidas na trave

Mesmo sem Ralph Zumbano, o que se viu foi uma ascensão na história do boxe brasileiro nas olimpíadas, que para a disputa em Helsinque 1952, a delegação contou com seis atletas. Desta vez foram Celestino Pinto (Super-leve), Alexandre Dib (meio-médio), Pedro Galasso (Pena), Nelson de Paula Andrade (Médio), Paulo de Jesus Cavalheiro (médio-ligeiro) e Lúcio “El Tigre” Grottone (Meio-Pesado).

Só que a evolução não foi apenas na quantidade de participantes. Ao todo, quatro pugilistas venceram pelo menos uma luta naqueles Jogos Olímpicos. Paulo de Jesus e El Tigre inclusive seriam eliminados apenas nas quartas de final. Portanto, novamente o Brasil ficou no quase.

Participação de Eder Jofre

Depois de uma campanha histórica, o Brasil fez algumas aparições menos impactantes. A exceção foi por uma participação ilustre em 1956. Isso porque a Olimpíada de Melbourne contou com a presença de Eder Jofre, competindo pelo peso-galo.

Jofre é considerado o maior boxeador da história do Brasil e dava ainda os primeiros passos de destaque. Porém, nos Jogos Olímpicos ele se juntou a outros nomes que ficaram apenas próximos da medalha, pois acabou eliminado nas quartas de final.

Nesta edição participou também Celestino Pinto (super-leve), que perdeu na estreia. Quatro anos depois, em Roma, o Brasil veria todos os cinco representantes também serem eliminados sem vencer.  José Martins (Mosca), Waldomiro Pinto (Galo), Jorge Salomão (Super-leve), José Pedro Leite (Meio-pesado) e Helio Crescêncio (Médio-ligeiro) foram os competidores em 1960.

Rumo a medalha

Depois de alguns resultados decepcionantes, o Brasil voltaria à fase de evolução. O país até veria duas eliminações na estreia, mas João Henrique da Silva (super-leve) emplacou duas vitórias e seria eliminado nas quartas de final.

Só que o melhor ainda estava por vir. Em 1968, na Cidade do México, o Brasil chegaria à primeira medalha olímpica no boxe.

O responsável por isso seria Servilio de Oliveira, com apenas 20 anos de idade. Ele foi colocado para entrar diretamente nas oitavas de final, pulando a primeira rodada. Depois, emplacou duas vitórias seguidas, avançando para a semifinal e garantindo automaticamente uma medalha.

Servilio seria derrotado exatamente na semifinal, mas ainda assim colocou o seu nome na história do boxe brasileiro nas olimpíadas.

No ano seguinte, ele decidiu pela profissionalização e, portanto, não voltou mais a disputar nos Jogos Olímpicos.

Longo jejum

No entanto, a conquista de Servilio não se transformou em algo frequente. Em 1972, os dois representantes foram eliminados na estreia. Já em 1976 nenhum dos quatro brasileiros passaram das oitavas de final.

Um bom desempenho só voltaria a acontecer em 1980. Na ocasião, Chiquinho de Jesus passou por dois adversários e só foi eliminado nas quartas de final. Faltou, portanto, somente um passo para ganhar a medalha.

Quatro anos depois, o Brasil não conseguiu classificar um atleta e só voltou a participar em 1988, mas sem passar das oitavas de final. Isso se repetiria em 1992, 2000 e 2004.

O país só ficaria próximo das medalhas em 1996 e 2008. Em Atlanta, Daniel Bispo parou nas quartas. Já em Pequim, Paulo Carvalho e Washington Silva é que ficaram no quase.

Novamente no pódio

A ausência do boxe brasileiro no pódio da olimpíada duraria 44 anos. Foi somente em 2012 que o Brasil voltaria a ter um medalhista. A edição de 2012 já entrava para a história pelo recorde de boxeadores representando o país, com 10 participantes. Só que além disso, três deles conseguiram voltar para casa com medalhas.

O destaque maior foi Esquiva Falcão, que conquistou a medalha de prata nos médios. O irmão dele, Yamaguchi Falcão também subiria no pódio, com a conquista do bronze. Mesma medalha da baiana Adriana Araújo.

O resultado fez com que a Confederação apostasse alto na disputa da Rio 2016. A projeção era na conquista de cinco medalhas. O número não se concretizou, mas a edição ficou marcada pelo ouro de Robson Conceição.

Melhor desempenho da história

Confirmando a evolução, 2021 foi o melhor ano da história do boxe brasileiro nas olimpíadas. Isso porque foram três medalhas em Tóquio, incluindo uma de Ouro. O feito foi realizado por Hebert Conceição, que ganhou na disputa até 75 kg com um nocaute. Beatriz Ferreira também fez história ao ser a primeira mulher brasileira a alcançar uma decisão. Ela terminou com a prata na categoria até 60 kg. Outro medalhista foi Abner Teixeira, que recebeu o bronze no peso pesado. Mais um nome que ficou na história do boxe brasileiro nas olimpíadas.

Todos os medalhistas do boxe brasileiro nas Olimpíadas:

1968 – Servílio de Oliveira (Bronze)

2012 – Esquiva Falcão (Prata)

2012 – Yamaguchi Falcão (Bronze)

2012 – Adriana Araújo (Bronze)

2016 – Robson Conceição (Ouro)

2021 – Hebert Conceição (Ouro)

2021 – Beatriz Ferreira (Prata)

2021 – Abner Teixeira (Bronze)