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Corinthians perde gols e sucumbe ao Peñarol em casa

Mancini paga por decisões e influencia na derrota do time

Quando Vagner Mancini e sua comissão técnica analisaram as partidas recentes do Peñarol, imaginaram que o melhor Corinthians para encarar o time uruguaio em casa, na noite desta última quinta-feira (29), seria uma equipe experiente, com meio-campo técnico e que apostasse nos lançamentos de Cantillo, na troca de passes de nomes como Fagner, Camacho e Luan e em um jogo de referência de Jô.

De fato, o Corinthians conseguiu trabalhar bem a bola no primeiro tempo, teve volume, posse de bola (64%), criou mais chances (sete a seis), mas perdeu gols que não poderia perder e sucumbiu a uma equipe que se mostrou muito mais eficiente e pronta para vencer uma partida deste tamanho, entre dois gigantes.

A derrota por 2 a 0 para o Peñarol mostrou um plano de jogo que fracassou diante decisões que se mostraram equivocadas do treinador e de alguns atletas. Houveram falhas técnicas de jogadores de todos os setores, e erros estratégicos por decisões questionáveis de Mancini.

O Corinthians não soube sair da marcação de pressão dos uruguaios no campo de ataque. Gil e Fábio Santos sofreram com a velocidade dos atacantes carboneros. Sem pegada, o meio-campo foi passarela para o desfile dos uruguaios. A equipe uruguaia se apresentou intensa e se aproveitou de um bote de Bruno Méndez no meio-campo para conseguir o seu gol cedo, aos 12 minutos do primeiro tempo.

Com espaço para jogar, o Timão respondia com bolas longas de Cantillo para a direita, encaradas no um contra um dos pontas e boas tramas com a bola no chão com Camacho, Fagner e Luan. O meia, aliás, buscou jogo e perdeu duas boas chances de gol.

O Peñarol também criou mais chances de perigo, parando em Cássio. Jô, em mais uma noite apagada, foi outro que teve bola açucarada nos pés, mas finalizou muito mal, errando o alvo.

É preciso falar da escalação de Léo Natel, que já havia feito uma partida ruim no empate sem gols contra o River Plate no Paraguai. Embora seja um atleta muito esforçado, combativo e com chute forte, o atacante não justificou vencer o jogo com o concorrente Gustavo Mosquito.

O intervalo veio e com ele, a óbvia sensação de que a equipe precisava corrigir a pouca pegada no meio-campo e subir o nível de seu ataque, que sucumbia com Jô e Natel. Mas Vagner Mancini não mexeu.

“Minha intenção já era mudar no intervalo, mas bati um papo com eles e decidi dar mais um tempinho”, justificou, talvez com arrependimento.

O Timão não voltou bem. Léo Natel, parecendo sentir a angústia de uma má atuação, falhou ainda mais. O Peñarol trocou passes e de forma eficiente, chegou ao segundo gol após cruzamento da esquerda. Mancini, então, mexeu. Entraram Mosquito, Vitinho e Ramiro. Saíram Natel, Luan e Camacho.

O técnico justificou a saída de Luan dizendo que precisava tornar a equipe mais ágil, mas na prática pouco melhorou. Cauê e Gabriel Pereira entraram nas vagas de Jô e Otero.

Com o Peñarol cozinhando o galo, o Corinthians lutou até o final na busca por um milagre. Fagner, de falta, até acertou a trave no finalzinho, mas não havia força nem capacidade para bater um Peñarol tão cheio de personalidade. No fim, foram 17 finalizações contra oito.

Agora em terceiro do grupo, o Corinthians vê a classificação na Sul-Americana com mais distância, embora ainda exista possibilidades. Restam quatro partidas, as duas próximas fora de casa: contra o Sport Huancayo, no Peru, e diante do mesmo Peñarol, em Montevidéu.

A pressão em Vagner Mancini pela derrota é natural. Depois de vencer o clássico contra o Santos com autoridade, em um confronto de sua equipe B com os reservas do time da Baixada, o torcedor depositou muita esperança neste jogo. Em um ano atípico e com partida atrás de partida, porém, o domingo oferecerá a ele uma nova chance de paz, no clássico contra o São Paulo, em casa.

Em um processo de remontagem do time como esse de 2021, decisões equivocadas sempre poderão aparecer. Cabe a Mancini e aos jogadores terem a leitura certa para evitar estragos muito grandes.

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